Cotidiano Invisível
Nos
encontramos diariamente em constante movimento. Seja dentro do conforto do lar,
no interior de um carro ou até numa rápida caminhada para evitar o atraso. Com
várias preocupações a cabeça, o passo acelerado segue o ritmo dos olhos que se
desencontram e se perdem nas luzes dos sinaleiros. Mas
esses mesmos olhos que se perdem, se assustam ou até mesmo evitam o contato com
outra figura humana muito presente no cenário urbano: o morador de rua.
Muitas vezes
vítimas do desajuste social, do desemprego, de desastres geográficos, do
abandono familiar e de problemas psicológicos, sobrevivem diante da
precariedade e insegurança das ruas e da falta de amparo social. E desta forma
são levados a situações extremas da sobrevivência humana, como a fome, a
exposição a doenças e a fatores climáticos, e também os vícios em drogas como o
álcool e o crack. Pessoas estas que já não tem esperança ou expectativa de
vida, deslocadas de nossa ilusória sociedade “civilizada”.
Produzido por um grupo de estudantes do curso de Cinema do IESB
(Brasília), é a partir desta perspectiva que se apresenta o
curta-documentário Cotidiano Invisível,
narrado pelo Palhaço Lambe-Lambe, um
morador de rua que vive no Conic (Centro de comércio em Brasília). Por meio de contrastes
urbanos que fogem à percepção comum, o discurso de Lambe-Lambe evidencia a
triste realidade da vida nas ruas. “É
melhor viver assim do que estar roubando o que é dos outros”. Assista:
Com esta
mensagem do Palhaço Lambe-Lambe, deixo a vocês leitores uma tarefa simples de
refletir a respeito de julgamentos e preconceitos que impomos sobre essas
pessoas durante o nosso cotidiano. Pessoas que vivem em situação de rua são
antes de tudo, seres humanos como nós, que diariamente lutam por sobrevivência
em busca de respeito e oportunidade. Não se pode ignorar a singularidade de
cada indivíduo, de cada história, tratando-os como perigo, marginalizados ou indiferentes,
pois é assim que estaremos silenciando seus pedidos de ajuda.
Não são
escolhas que os levam a este modo de sobrevivência. É a falta delas.












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