Cotidiano Invisível

18:55 Unknown 0 Comments Category :

Nos encontramos diariamente em constante movimento. Seja dentro do conforto do lar, no interior de um carro ou até numa rápida caminhada para evitar o atraso. Com várias preocupações a cabeça, o passo acelerado segue o ritmo dos olhos que se desencontram e se perdem nas luzes dos sinaleiros. Mas esses mesmos olhos que se perdem, se assustam ou até mesmo evitam o contato com outra figura humana muito presente no cenário urbano: o morador de rua.



Muitas vezes vítimas do desajuste social, do desemprego, de desastres geográficos, do abandono familiar e de problemas psicológicos, sobrevivem diante da precariedade e insegurança das ruas e da falta de amparo social. E desta forma são levados a situações extremas da sobrevivência humana, como a fome, a exposição a doenças e a fatores climáticos, e também os vícios em drogas como o álcool e o crack. Pessoas estas que já não tem esperança ou expectativa de vida, deslocadas de nossa ilusória sociedade “civilizada”.



Produzido por um grupo de estudantes do curso de Cinema do IESB (Brasília), é a partir desta perspectiva que se apresenta o curta-documentário Cotidiano Invisível, narrado pelo Palhaço Lambe-Lambe, um morador de rua que vive no Conic (Centro de comércio em Brasília). Por meio de contrastes urbanos que fogem à percepção comum, o discurso de Lambe-Lambe evidencia a triste realidade da vida nas ruas. “É melhor viver assim do que estar roubando o que é dos outros”. Assista:


Com esta mensagem do Palhaço Lambe-Lambe, deixo a vocês leitores uma tarefa simples de refletir a respeito de julgamentos e preconceitos que impomos sobre essas pessoas durante o nosso cotidiano. Pessoas que vivem em situação de rua são antes de tudo, seres humanos como nós, que diariamente lutam por sobrevivência em busca de respeito e oportunidade. Não se pode ignorar a singularidade de cada indivíduo, de cada história, tratando-os como perigo, marginalizados ou indiferentes, pois é assim que estaremos silenciando seus pedidos de ajuda.



Não são escolhas que os levam a este modo de sobrevivência. É a falta delas.

POSTAGENS RELACIONADAS

0 comentários